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É possível se preparar para ficar velho ?

Quando falamos em envelhecimento natural ou normal estamos falando de uma fase da vida chamada senescência, que nada mais é do que o envelhecimento sem doenças, onde perdas ocorrem de forma natural devido principalmente à passagem do tempo. Já a senilidade está ligada ao envelhecimento onde ocorre o aparecimento de doenças crônicas ou não. A verdade é que mesmo na senescência tanto quanto na senilidade, o envelhecimento hoje em dia está sempre associado a perdas.

Envelhecer, então acaba trazendo emoções ambíguas, queremos viver mais para aproveitar mais a vida, mas tememos a velhice, a decrepitude, que nos lembra e que nos aproxima da morte.

Durante o envelhecimento é quase impossível não se deparar com perdas de alguma ordem. Elas ocorrem e são inevitáveis: perda da juventude, perda de amigos, perda de membros da família, perda do trabalho, perda de oportunidades e perdas físicas. Mas, como cada ser humano é único e possui sua singularidade, as formas de envelhecer, e de perder também são únicas. Perdas e alterações podem ocorrer sim, mas nem sempre da mesma forma e com a mesma intensidade.

A verdade é que nunca podemos generalizar. Não se envelhece de uma forma particular. Mas uma grande maioria de estudiosos afirma que se envelhece como se viveu. Isto é, se você foi uma pessoa que se preocupou de alguma forma com sua saúde e se preparou, se cuidou, com certeza vai usufruir de uma velhice mais saudável, e mais prazerosa. Mas nem sempre é assim, e hoje em dia nosso grande desafio é envelhecer com independência, autonomia e qualidade de vida, de preferência aceitando e se adaptando a nova realidade, remodelando a vida da melhor forma possível dentro das nossas limitações e circunstâncias particulares.

Sabendo que o estilo de vida influencia 75% a nossa qualidade de vida, investir em atitudes saudáveis mesmo quando se é mais velho, o resultado é muito positivo. Para o idoso, mexer com este estilo é difícil, mas não impossível. Atitudes saudáveis minimizam enormemente as perdas. Valliant (estudioso e autor do livro Aging Well, 2003) enfatiza a importância de investimentos nos nossos estilos de vida e na nossa saúde subjetiva, e enfatiza a máxima; “Estar doente não é o problema, conquanto que não se sinta doente.” Levando-nos a refletir a respeito da importância de atitudes e pensamentos positivos.

Podemos fazer muito pouco para mudar nossa genética, mas podemos mudar hábitos e evitar muitas doenças. A resposta e a atitude estão nas nossas mãos. Muita coisa há que se fazer ainda na velhice. Nunca podemos nos ater ao limite fisiológico, e nunca é tarde demais para fazermos escolhas acertadas Lembrando Godfard (2002); “Existe sim no envelhecimento um limite do biológico (involução), mas não daquele outro corpo, que sabemos ser capaz de prazer, instrumento de amor, sensibilizados pela força dos vínculos”. Há sempre um novo amanhã enquanto houver vida.

Por Sônia Fuentes

Psicóloga, mestranda em Gerontologia pela PUC/SP

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