Transtornos do humor são enfermidades em que há variações acentuadas do humor, com crises repetidas de depressão e mania. Na depressão, a pessoa sente tristeza exagerada e desânimo e, na mania, um aumento de energia e euforia anormal. Os sintomas depressivos e maníacos podem surgir simultaneamente, os chamados estados mistos. O transtorno do humor bipolar também é conhecido como transtorno afetivo bipolar ou doença maníaco-depressiva.

Quais os tipos de transtornos do humor existentes?

Existem alguns tipos de transtornos do humor, que podem ter frequência, gravidade e duração variáveis. A depressão pode ser única ou recorrente, de intensidade leve, moderada ou grave, e durar semanas, meses ou anos. É um sentimento de tristeza intensa desproporcional à importância do evento e persiste além do tempo justificável. A pessoa sente-se desanimada, angustiada, ansiosa, com falha de memória e dificuldade de concentração. Podem aparecer pensamentos de morte e alucinações, alterações de apetite e/ou peso e no tempo de sono. Na distimia, os sintomas depressivos são mais leves que os de depressão, porém duradouros e oscilantes, em que predominam irritabilidade e mau humor. Pode ser confundida como personalidade e costuma evoluir para depressão. O termo mania significa um estado mental alterado em que a pessoa se sente eufórica, irritada, agressiva. Tudo precisa acontecer imediatamente, há brigas e discussões. Surgem autoconfiança e otimismo extremos, sensação de poder, influência, capacidade, inteligência e riqueza. Pode ter alucinações e sentir-se com poderes ou dons especiais. Súbitos sentimentos de depressão podem vir e logo desaparecer. Ocorrem gastos excessivos, endividamentos, negócios irresponsáveis ou precipitados. Há aumento do erotismo e redução do sono. Na hipomania, o grau de aceleração psíquica é menor que na mania. É comum aparecer antes ou depois de uma depressão e durar alguns dias. Os sintomas são os mesmos que na mania, porém de menor gravidade. O humor geralmente é irritável, torna-se exageradamente otimista e arrogante. No estado misto ocorrem simultaneamente sintomas depressivos e maníacos acentuados. A pessoa pode acordar em pleno sofrimento e lentidão depressiva, ir melhorando e sentir-se progressivamente mais eufórica com o passar do dia. Também pode sentir-se agitada, acelerada, fazendo gastos e queixar-se de angústia, pessimismo e vontade de morrer, ou seja, sentir-se ao mesmo tempo exaltada e deprimida.

Qual a frequência dos transtornos do humor e quem corre maior risco?

Os transtornos do humor atingem mais de 20% da população em algum momento da vida. Um episódio de depressão dura em média de seis a nove meses, podendo durar dois anos ou mais em 15 a 20% dos casos. Em geral, os episódios recorrem várias vezes ao longo da vida. A depressão geralmente começa entre os 20 e os 50 anos de idade e são duas vezes mais comuns em mulheres que em homens. Não muito raros, os transtornos do humor atingem crianças, com sintomas ansiosos e irritabilidade predominantes.

Quais as causas do transtorno do humor bipolar?

A doença leva em média oito anos para ser diagnosticada. Nesse período, o paciente teve sofrimentos físico e psíquico imensuráveis e pode ter acumulado perdas irreversíveis. Na depressão, comprometem-se relacionamentos familiares, com cônjuge, amigos e colegas. Muitos se tornam usuários de tranquilizantes, álcool ou drogas, podem correr risco de morte por negligenciar cuidados com a saúde ou por suicídio. Atitudes tomadas durante a (hipo)mania podem resultar em rompimentos conjugais, com familiares, amigos e em ruína financeira. Há risco de adultério, gravidez indesejada e contrair doenças sexualmente transmissíveis. Pode perder o emprego, arruinar sua reputação, abusar de álcool e/ou droga, causar acidentes e ter problemas com a justiça.

Como o paciente pode ajudar-se?

O transtorno bipolar deve-se a combinação de fatores bioquímicos, psicológicos e sociais. Para o tratamento, são indicados medicamentos, esclarecimento sobre a doença e orientação psicológica. Há vários tipos de tratamentos psicológicos, como psicoterapia individual e/ou grupal, terapia familiar ou conjugal e orientação psicoeducacional. Na psicoterapia, é possível encontrar esclarecimento e apoio necessários para superar cada novo obstáculo que a doença impõe. O efeito dos medicamentos na depressão, na (hipo)mania ou no estado misto leva de duas a quatro semanas para ser significativo. A melhora completa pode levar alguns meses e depois disso, o paciente segue para a fase de manutenção. O apoio ao tratamento e a presença amiga da família são fundamentais para ajudar o paciente a manter a medicação, evitando nova crise. A intervenção junto ao médico antes que o paciente perca a autocrítica previne as consequências ou eventual internação. O médico deve ser imediatamente avisado em caso de suspeita de ideias de desesperança e suicídio.

O convívio com a dor e a incapacidade de lidar com ela trazem, além do próprio desconforto físico, sentimentos e emoções decorrentes do estresse, que acabam por intensificar as sensações presentes. Pessoas ansiosas, quando tem dor, sentem maior perda do controle e, consequentemente, apresentam maior nível de tensão. Quadros depressivos influenciam, negativamente, a percepção da dor e a automotivação. Raiva, hostilidade, prejuízo no sono, na produtividade e nas relações sociais são fatores comumente associados aos quadros de dor.

Quando trata-se de um caso crônico, são necessárias adaptações na rotina e isto também interfere no estado emocional do indivíduo com dor, podendo levá-lo a não aceitação, a um estado de revolta ou de depressão.

Desta forma, podemos dizer que o sofrimento vai além do físico e consiste em um estado grave de angústia, associada a eventos que ameaçam sua integridade.

Diante deste quadro, o trabalho psicológico consiste no auxílio à identificação dos recursos de enfrentamento que o indivíduo com dor possui para lidar com as alterações necessárias na vida, em função da dor ou dos demais fatores relacionados. Sua capacidade de adaptação, através do estímulo à percepção de seus recursos internos é explorada, bem como é mensurado o significado dado à dor e aos eventos da vida. Uma vez identificado o padrão de comportamento que favorece a piora do quadro álgico, passam a ser abordados os aspectos necessários para as mudanças.

Recursos como técnicas que visam um estado de relaxamento (através da imaginação, da percepção corporal, da respiração e da música) são utilizados e auxiliam o indivíduo a desenvolver maior autocontrole e melhor percepção do próprio corpo e de seu estado emocional.

Deste modo, o acompanhamento psicológico auxilia no manejo do estresse, na percepção e compreensão de queixas distorcidas a respeito da dor, na transformação da postura do paciente diante de seu próprio tratamento e dos eventos da vida que o incomodam, tornando-o mais ativo e melhorando sua qualidade de vida.

Claudia Mussa

“Todos temos, em certa medida, problemas existenciais, problemas que nos angustiam, nos dividem, nos fazem acreditar que felicidade e paz são sonhos inatingíveis. Há os que conseguem superar de sua existência e buscar, em meio a tanta coisa difícil, o termo do equilíbrio, da satisfação e da felicidade de viver. A maioria, entretanto, não consegue e necessita, então, de alguma ajuda para atingir este estado de felicidade consigo mesmo e com a vida…”

Texto extraído do livro Por que fazer psicoterapia

Luiz Carlos de Freitas – Editora Agora 2ª Edição, 1985, 166p.